A CASA DAS OITO MULHERES

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Em Placas, cidade cortada pela Transamazônica, oito agentes de saúde do Projeto Beth Bruno comandam o posto de saúde Projeto Cuidando da Vida no Bioma Amazônico. Conheça nesta reportagem a história de amor, dedicação e perseverança em nome do bem-estar integral para a população.

 

 Por Keila Bis

Placas, no Pará, ainda não era município quando o primeiro posto de saúde da comunidade foi criado. E pelos próprios moradores. Dona Neide Francichet Crespan foi uma das lideranças nessa construção. “Mas, quando começamos mesmo, era em um barraquinho. Depois, mudamos para um quartinho. Por fim, surgiu a casa onde hoje é o nosso posto. Quando viemos olhar o lugar pela primeira vez, dava tristeza, não havia condições de abrir um espaço voltado para a saúde ”, conta ela.

Neide no postinho, antes das reformas

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Com as paredes e o forro caindo e tudo o mais quebrado, o sonho de fazer do lugar um local de atendimento para a população, demandava esforço e perseverança. “Quase não dava para a gente entrar. Um dia, conversei com o padre Boeing e ele disse: ‘vamos fazer um projetinho e começar a arrumar aos poucos’. Era o ano 2005”, relembra dona Neide.

 

 

 

Essa primeira reforma, que também contou com a ajuda do padre Patrício, durou dois anos ao mesmo tempo em que os atendimentos iam sendo feitos. “Fomos juntando um dinheiro com o qual compramos a geladeira, o armário, a escrivaninha da recepção, a mesa de fazer o teste bioenergético, as cadeiras e o fogão. Quando a irmã Marialva chegou e se juntou a nós, ela falou: ‘vamos fazer um projeto do Fundo Dema para deixar ainda mais em ordem’. Quando ela iniciou o projeto, fomos atender em outro lugar para as obras continuarem”, conta a agente.

Com o patrocínio do Fundo Dema e do Projeto Beth Bruno, o posto de saúde Projeto Cuidando da Vida no Bioma Amazônico foi, então, finalizado e inaugurado em 2016. “Esse posto foi devolvido para a comunidade. Como é possível pegar algo que está totalmente ruim e transformar em algo bom!”, alegra-se irmã Marialva Oliveira da Costa, coordenadora do Projeto Beth Bruno.

 

As agentes de saúde

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As oito mulheres, da esquerda para a direita: Noemi (sentada), Marlene, Irmã Marialva, Joceline (sentada ao fundo), Irmã Sirlene (sentada), Neide, Juvelina e Inês (sentada)

Em 1999, Marlene Cloth Carestini iniciou o curso de bioenergético em Uruará, com as irmãs Terezinha e Adelina. “Depois, começaram as reciclagens no Centro de Formação Bethânia, em Altamira, foi quando o bioenergético se espalhou pelo Brasil. Nessa época, atendíamos a população com bioenergético, fitoterapia e massagem”, conta Marlene.

Muito tempo depois de Marlene fazer o curso, foi a vez de Dona Neide. “Eu tinha quebrado o pé e a irmã Adelina estava dando o curso aqui em Placas. Ela vinha lá de Uruará, distante uns 160 km. Um dia ela foi na minha casa me convidar para trabalhar com o bioenergético. Eu expliquei que não podia por causa do pé, estava andando com muletas. Ela disse: ‘Não se preocupe, a gente vem te buscar e depois te levamos.’ Aí eu resolvi fazer.”

Em seguida, foi a vez de Noemi Ficagna, uma das principais lideranças do Projeto Beth Bruno em homeopatia na agricultura. “Agora, aqui está sendo também um lugar de formação, não somente de atendimentos. Já teve a formação de agricultores e de homeopatia”, encanta-se ela.

Joceleni Mara Vargas Ruschel começou a atender com Marlene e dona Neide ainda no posto antigo. “Depois, adoeci e parei. Mas, conheci irmã Marialva, fiz um tratamento com ela e ela me chamou para vir trabalhar. Hoje trabalho com bioenergético, biomagnetismo e com florais.”

Inêz Dalsoto Martini também entrou para o grupo quando o postinho estava instalado na casa da dona Neide e também convidada por Marialva. “Primeiro, fiz um tratamento com a irmã Marialva. Eu a procurei porque não conseguia dormir desde que o meu marido tinha falecido. Depois, não faltou mais sono. Foi uma terapia e tanto!”, recorda-se Inêz. “Aí a irmã Marialva me convidou para trabalhar com elas. Hoje, eu trabalho na recepção, ajudo no bioenergético e me dedico muito à horta.”

Juvelina Naider Silveira Miller passou a compor a ‘casa das oito mulheres’ a partir do ano passado. “Também fui convidada pela irmã Marialva. Eu já conhecia o bioenergético porque já me cuidava com ele. Por isso, a irmã me disse: ‘Você já conhece as plantas, por que não faz o curso?’. E ela convidou a Joceleni também e nós duas fazemos dupla no bioenergético. Mergulhamos de cabeça. Irmã Marialva é a nossa mestra.”

Irmã Sirlene foi a última a integrar o grupo de agentes de saúde do posto de saúde Projeto Cuidando da Vida no Bioma Amazônico. “Eu trabalho como massoterapia, terapia floral, homeopatia, acupuntura, bioenergético e biomagnetismo.”

Irmã Marialva, além de coordenadora do Projeto Beth Bruno, também atua como agente de saúde na casa em que ajudou a reconstruir.

Além de Placas, o posto recebe muitas pessoas de Rurópolis, Uruará e outras cidades. Em busca de ajuda para a cura de doenças, como artrite, artrose, reumatismo, bursite e depressão, elas encontram alívio nas terapias oferecidas: biomagnetismo, bioenergético, terapia floral, fitoterapia e homeopatia popular.

Cresce no local uma linda horta repleta de folhas, vegetais e ervas medicinais, que vem sendo cuidada com esmero com homeopatia, compostagem e adubos orgânicos.

O lugar que foi o primeiro postinho da comunidade, em precárias condições, se tornou um espaço bonito, aconchegante, organizado e quem chega lá, não tem vontade de ir embora.

 

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A agente de saúde Neide no novo postinho Cuidando da Vida no Bioma Amazônico

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