PROJETO BETH BRUNO INVESTE NA FORMAÇÃO DE AGRICULTORES ORGÂNICOS

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Os agentes de saúde formados pelo Projeto Bruno, gerenciado pelo Instituto Transformar Cuidando, estão aprendendo a cuidar de suas propriedades rurais com homeopatia, compostagem e adubos orgânicos.

 

Por Keila Bis

Matar e queimar são palavras que não fazem parte do vocabulário das famílias de agricultores orgânicos de alguns municípios do Pará. Participantes do Projeto Bruno, gerenciado pelo Instituto Transformar Cuidando, eles vêm aprendendo a cuidar da terra, dos animais, das aves e das plantas de uma forma muito inteligente, econômica, saudável e com total respeito ao meio ambiente.

Tudo começou há cerca de dois anos quando Marialva da Costa Oliveira, coordenadora do Projeto e presidente da Associação Brasileira de Homeopatia Popular, convidou o homeopata José Carlos da Silveira, mestre em Ciência pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), a ensinar os agricultores a fazer o mapeamento energético da terra por meio da radiestesia. “Com esse mapeamento, descobrimos onde está o desequilíbrio, ou seja, os pontos onde faltam minérios ou os lugares que estão contaminados com agrotóxicos ou onde houve um maltrato, por exemplo. Com essas informações, preparamos a homeopatia adequada e colocamos no solo”, explica Marialva, responsável pelos cursos de homeopatia no solo.

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Noemi Ficagna, que mora em um sítio no município de Placas, aboliu o uso de venenos em sua propriedade há um ano. “Além da homeopatia no solo, usa também para tratar dos animais, das vacas, dos porcos, das galinhas, … Não usamos mais nada químico, somente a vacina contra a febre aftosa, que, por lei, é obrigatória. Se uma vaca adoece por um problema de mamite ou um machucado no pé, aplicamos a homeopatia no cocho, no sal. Ou, se é vaca de leite, pingamos no nariz, numa espiga de milho, numa mandioca que ela vai comer.”.

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Dentro da agricultura orgânica faz parte também outros cuidados. Sr. Pedro Paulo Barbosa de Amorim, que vive próximo a Altamira, usa, por exemplo, o Calendário Astronômico Agrícola, um dos princípios da agricultura biodinâmica, que leva em conta a relação das fases da lua com a época do plantio, da colheita, da poda, … “Com esse calendário, eu sei, por exemplo, que é bom plantar batata na lua cheia porque aí ela não broca”, diz ele. O agricultor fala também sobre uma das receitas que vem sendo muito usada pelos agricultores como adubo. “Seis cascas de banana + uma mão cheia de borra de café + uma mão cheia de casca de ovo e água. Batemos tudo e depois colocamos no meio da terra.” Sr. Pedro conta que desde quando começou a participar do Projeto, não queima mais nada em sua propriedade. “Não queimo nada. Deixo tudo sobre o solo para dar proteção aos microorganismos, às minhocas que vão crescendo alií. Eles são importantes para podermos cultivar melhor aquela área”, explica o agricultor.

Marialva diz que de nada adianta ter uma área toda descoberta e começar a passar homeopatia. “Precisamos ajudar a terra com matéria orgânica, plantação de leguminosas, que cria massa orgânica”, diz ela.

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Edi Alves de Barros, agricultor do município de Trairão, diz que a compostagem também faz parte da agricultura orgânica. “Em vez do adubo químico, faço compostagem com folhas de bananeiras, abacateiros, mangueiras, capim, esterco de gado,…”, conta. E dá a receita da compostagem: “Fazemos um buraco de 1m x 4m e colocamos nele: uma camada de esterco de gado e depois uma camada de folha de bananeira. Depois uma camada de esterco de gado e uma camada de folhas de mangueira e assim sucessivamente. Irrigamos de dois em dois dias na época do verão. Depois de dois meses, tiramos essa compostagem e colocamos nos canteiros e plantamos.”.

Edi conta também sobre a economia que vem tendo desde que participou dos cursos e passou a usar os ensinamentos na sua propriedade. “Minha produção aumentou cerca de 80% e chego a economizar R$ 500 por mês porque paramos de comprar adubo químico, veneno e inseticida”, conta ele.

 

Uma importante ação que foi criada pelo grupo do município de Monte Alegre – e vem sendo replicada pelos outros grupos de agricultores de Medicilândia, Rurópolis, Trairão, Placas e Altamira –  são os encontros feitos a cada dois meses em uma propriedade. “A cada dois meses, os Agricultores Ecológicos da Área Missionária Santa Clara, que fazem parte do Projeto Beth Bruno, se encontram em uma propriedade onde o agricultor tem uma experiência a repassar para o grupo”, explica Maria Antonia da Costa, agente de saúde de Monte Alegre, que vem acompanhando de perto o trabalho deles. “Eles vêm fazendo consórcio de laranjeiras, bananeiras e pupunheiras, ou seja, numa mesma área plantam diferentes culturas, tendo uma maior produtividade. Fazem reflorestamento, produzem mudas de cumaru e vendem, fazem também o cultivo orgânico de hortaliças em parceria com o Serviço de Aprendizagem Rural, já são formados em homeopatia na agricultura e trabalham com a radiestesia”, conta Maria Antonia.

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Marialva diz que hoje já há cerca de 120 famílias de agricultores orgânicos que participam do Projeto Beth Bruno. “Nós começamos tratando das pessoas, depois ampliamos para a família, depois para os grupos e agora estamos nesta fase porque é muito importante, o cuidado com o meio ambiente. O Projeto é um projeto de cuidado com a vida”, explica a coordenadora.

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